quinta-feira, 19 de junho de 2008

VOU SER INOCENTE

Inofensivo, inócuo, isento de culpa ou malícia, simples, puro. Já pararam para pensar sobre a inocência? O quanto ela é crucial para um jornalista? E também o quanto é mortal? Lembro da minha inocência no primeiro dia em que sonhei em ser jornalista. Lembro do primeiro dia na faculdade, estava desesperado e com um frio insuportável na barriga. A inocência de não saber o que se pode perguntar e o que se deve perguntar. A inocência de perguntar exatamente aquilo que não deve nunca ser perguntado numa coletiva: isso ainda gela a barriga.

Dizem que ela irá se afastar com o tempo. A inocência de um foca é semelhante à de uma criança e só dura enquanto estamos aprendendo. Mas penso que essa inocência permanece dentro de todos. Para conquistar os meus objetivos, não preciso ser malicioso. Sei que tempos difíceis são feitos para nos aperfeiçoar, e por isso minha inocência não irá se degenerar.

Sei que o povo brasileiro está triste, pois, desde Cabral, somos roubados. E o povo sempre calado. Aí me pergunto cadê à imprensa? Será que ela é culpada? Mas garanto, eu não serei mais um mafioso! Só de sacanagem, não vou me vender, vou ser inocente até o final. Podem dizer que sou um aventureiro, um mero sonhador, mas logo vou te responder que a minha inocência é, sim, de um sonhador. Porém como inocente acredito nos sonhos, e por isso não vão me prender. Vou arriscar a conhecer o novo. Não me contentarei em nadar em uma piscina: vou desbravar o mar, e sei que não vou me afogar.

E quer saber: gosto de ser inocente. Assim fico mais solto para fazer a pergunta cretina, sem medo de errar, e cuja resposta vem como um furo de reportagem. Fico mais disposto a bater na porta de quem não se deve bater e correr o risco de ela ser aberta. Fico com um ar de coitado, o que tira a responsabilidade de parecer inteligente.

Como é bom ser inocente.

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